Mãe relata que bebê caiu no chão durante parto em hospital de Ubajara

Laudo revela que menino de 9 anos levou 12 facadas e foi degolado vivo, no DF
11 de junho de 2019
Ônibus transportando professores é apreendido por irregularidade na BR-116
11 de junho de 2019

Uma mãe denuncia ter sofrido negligência no hospital municipal de Ubajara, no Norte do Ceará, em um parto natural em que o bebê dela caiu no chão, no último dia 27 de maio na unidade. Ela afirma que não foi acompanhada por médico ao dar à luz. O bebê passou por exames nesta segunda-feira (10), em Sobral.

Segundo a mãe, o recém-nascido está “aparentemente bem”. A direção do hospital nega a versão. O vice-prefeito de Ubajara, Adécio Muniz Paiva Filho, publicou nota de esclarecimento sobre o caso em sua página pessoal no Facebook, nesta terça-feira (11). Em vídeo, juntamente com a mãe e o bebê, o vice-prefeito pede desculpas e afirma que foi aberto processo administrativo para investigar o que aconteceu.

Segundo Maria Gisele Leitão, de 27 anos, em razão das dores, ela estava ajoelhada no momento em que o bebê foi expelido em parto natural. Segundo o relato dela, o enfermeiro que a atendia não acreditou que o bebê estava prestes a nascer e, por isso, não a auxiliou enquanto ela solicitava ajuda.

 

Bebê caiu no chão ao nascer em hospital de Ubajara, no Ceará, segundo relato da mãe. — Foto: Reprodução

 

O diretor do Hospital de Ubajara, Bruno Araújo, nega a versão da mãe e assegura que a criança foi aparada pelo enfermeiro em questão, que, segundo o diretor, estava de plantão no dia e acompanhou o trabalho de parto de Gisele. A paciente fez uma carta direcionada à ouvidoria do hospital relatando o ocorrido e entregou ao diretor no dia seguinte ao parto.

A Secretaria de Saúde do município informou que o posicionamento oficial sobre o caso seria fornecido pela direção do hospital.

Nesta terça, o vice-prefeito da cidade publicou nota confirmando o recebimento da denúncia. Paiva Filho esclareceu que a paciente foi acolhida na enfermaria do hospital de Ubajara enquanto aguardava liberação de um leito em outra unidade hospitalar.

“Contudo, o sistema não liberou em tempo hábil a transferência, sendo que às 20 horas e 35 minutos a criança veio a nascer na enfermaria onde havia sido disponibilizado o leito”, diz a nota.

O vice-prefeito afirma, ainda, que tem fornecido apoio para o melhor atendimento da criança. “Do mais, depois da denúncia apresentada na ouvidoria do Município corre um processo administrativo, com a finalidade de apurar os fatos e seus eventuais responsáveis. Deve ser ressaltado que a prefeitura está disponibilizando todos os meios necessários ao atendimento da criança e da mãe”, finaliza a nota.

O parto

 

 

 

 

Quando Gisele foi ao hospital, no dia 27, estava sentindo contrações fortes e apresentava dilatação, segundo ela. No dia anterior, um domingo, ela já havia procurado a unidade após sentir cólicas, diarreia e vômito.

“Quando cheguei, o médico simplesmente falou que era uma dor de barriga. Eu sabia que não era uma dor de barriga qualquer, porque eu tava sentindo a barriga dura e as cólicas. Já era contração. O médico não me examinou, me deu remédio pra tomar na veia e me mandou pra casa. No domingo à noite, passei a noite todinha sentindo contração. As cólicas fortes aumentaram. Na segunda de manhã não quis ir logo pro hospital porque já sabia que eles iam me mandar pra casa de novo, só fui à tarde quando já não tava mais aguentando de dor”, relata.

Ao chegar ao Hospital de Ubajara, por volta de 16h, ela foi atendida pelo médico de nome Paulo, que a examinou e constatou as condições favoráveis para o parto, de acordo com a jovem.

“Falou que o bebê já tava bem pertinho de nascer e era pra eu ser encaminhada para o hospital de Tianguá, porque eu estava com 37 semanas e ainda era considerado prematuro. Ele foi ajeitar os papéis da transferência e eu fiquei aguardando no quarto”.

Com a troca de plantões da unidade por volta de 18h30, conta a mãe, ela passou a ser assistida por um enfermeiro, que ao examiná-la entre 19h30 e 20h disse que ela tinha oito centímetros de dilatação. “Ele mandou eu ir pro quarto de novo. Fiquei no quarto esperando e a dor só aumentou”, disse.

 

 

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA E À SOCIEDADE

 

Em atenção à imprensa e à sociedade, em virtude da denúncia recebida junto a ouvidoria da secretaria de saúde de Ubajara bem como das notícias veiculadas nesta segunda-feira (10), a Secretaria Municipal de Saúde de Ubajara vem esclarecer que:
1) A paciente Sra. Maria Gisele Alves Leitão, chegou ao hospital as 16 horas e 33 minutos, orientada, deambulando, sendo atendida pelo enfermeiro e médico plantonista, prestando-se assim a assistência de imediato, sendo que estes solicitaram transferência da paciente para outra unidade hospitalar. Enquanto a paciente aguardava a liberação do leito junto ao sistema de regulação do estado, a mesma foi acolhida no hospital de Ubajara sendo disponibilizado um leito na observação obstétrica, contudo o sistema não liberou em tempo hábil a transferência, sendo que às 20 horas e 35 minutos a criança veio a nascer na enfermaria onde havia sido disponibilizado o leito.
2) Do mais, depois da denúncia apresentada na ouvidoria do Município corre um processo administrativo, com a finalidade de apurar os fatos e seus eventuais responsáveis;
4) Deve ser ressaltado que a prefeitura está disponibilizando todos os meios necessários ao atendimento da criança e da mãe.

Fonte: G1/CE

Atitude Online