Para professor, escassez de água está ligada à ‘desenfreada’ construção de barramentos

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Em artigo de autoria do professor e geógrafo, Francisco Herli Barros, da cidade de Umari, sobre causas da escassez de água nos açudes cearenses. Confira:

       Que Fortaleza corre o risco de faltar água é uma verdade. Agora, as mais prováveis causas dessa catástrofe, ainda não foram citadas.

       As diversas causas até agora publicadas quanto a escassez de água nos grandes reservatórios são: faltas de chuvas, desmatamento das matas ciliares e outras já bem conhecidas por todos, o que tem mesmo de se levar em consideração primordial são os barramentos hídricos (pequenos e médios açudes construídos no Nordeste).

      Desde 1979, primeiro ano do grande período de seca mais recente no Nordeste (1979 a 1983) se difundiu a cultura do barramento hídrico. Todos querendo água na sua propriedade individual e com auxílio dos Governos construíram e estão construindo pequenos açudes sem os mínimos cuidados, quanto ao grau de percolação e evaporação da água. Com os barramentos hídricos o período de chuva não é suficiente para que os rios maiores sejam alimentados pelos seus afluentes e estes recarreguem os grandes reservatórios (Castanhão, Orós e Banabuiú).

         Um outro determinante para escassez da água no Nordeste e seus reservatórios é o uso indiscriminado de perfurações de poços em busca da água no lençol freático para a pratica da irrigação sem orientação técnica. O desperdício da água ao trazê-la do lençol freático para a superfície é incalculável, pois em contato com as altas temperaturas e em sistemas de irrigações inadequados aí se vai na evaporação.

         Toda está água retirada do lençol freático faz com que a terra fique como uma esponja seca, vale lembrar que em nosso semiárido a quantidade de chuva é menor que a de água que evapora, em uma proporção de 3/1 ou seja, a quantidade de água que evapora é 3 vezes maior do que as precipitadas através da chuva. Daí a importância de guardar e usar a água adequadamente. Continuando com a prática dessas duas determinantes de água nos reservatórios entre Cabrobó (PE) e Fortaleza (CE), só retirando água do Rio São Francisco ou dessalinizando a água do mar para atender o abastecimento não só de Fortaleza, mas de tantas outras cidades no percurso da transposição.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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