Doenças respiratórias causadas por poluição matam tanto quanto homicídios no Brasil

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 7 milhões de pessoas morrem todos os anos devido à exposição a partículas finas presentes no ar poluído. O material particulado fino penetra profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, causando doenças como derrame, doenças cardíacas, câncer de pulmão, doenças pulmonares obstrutivas crônicas e infecções respiratórias, incluindo pneumonia.

No Brasil, doenças respiratórias ocasionadas por poluição do ar ocasionaram a morte de 30 a cada 100 mil pessoas em 2016. O número, o mais recente divulgado pela Organização, é próximo ao de países como Colômbia e Argentina. No mesmo ano, o País registrou uma média de 30,3 homicídios a cada 100 mil cidadãos de acordo com o Atlas da Violência divulgado em 2018 – com dados referentes a 2016.

Estudos indicam que o custo das mortes por tais doenças para a economia do País é da ordem de R$ 3 bilhões ao ano. Uma estimativa conservadora, pois não leva em conta gastos com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com as aposentadorias precoces por incapacitação.

 

 

Ar poluído

 

 

Ainda segundo a OMS, 9 em cada 10 pessoas respiram ar contendo altos níveis de poluentes. O material particulado em análise pela Organização inclui poluentes como sulfato, nitratos e carbono preto, que apresentam os maiores riscos para a saúde humana.

As recomendações de qualidade do ar da OMS pedem aos países que reduzam sua poluição do ar para valores médios anuais de 10 microgramas (mcg) por metro cúbico (m³). No Brasil, a maior concentração dos poluentes está ao redor de Brasília, onde o índice chega a 25 mcg/m³.

Em contrapartida, as regiões Norte, Nordeste e Sul apresentam valores dentro do indicado segundo o banco de dados da OMS atualizado em 2016. A qualidade do ar pode ser influenciada por elementos naturais, como fatores geográficos, meteorológicos e sazonais.

 

 

Poluição dentro das casas

 

 

Em maio deste ano, dados da pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registram crescimento do número de lares utilizando lenha e carvão para cozimento de alimentos. A utilização de combustíveis sólidos é particularmente danosa para a poluição interna. Em comparação, a queima de lenha em um fogão corresponde a 400 cigarros por hora segundo um estudo da Universidade da Califónia. 

Dados de 2017 da Pnad divulgados no fim de abril apontam que 23,4% dos lares cearenses usam como combustível para cozimento de alimentos matérias-primas como carvão ou lenha. Isso representa um aumento de 6,8% em relação à mesma pesquisa feita em 2016 (21,9%). O Ceará está entre os dez estados com maior uso de carvão ou lenha em casa para cozinhar. A média nacional é de 17,6%.

O percentual de lares que usam carvão ou lenha é maior no Interior que na Capital. Em Fortaleza, o método de queima está presente em apenas 1,8% dos domicílios. Ao se ampliar a amostragem para a Região Metropolitana, o dado sobe para 5,4% das casas.

Fonte: O Povo

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