Impacto da pandemia: atividade turística recuou 31,7% em março no Ceará

O índice de atividade turística no último mês de março, portanto no início da pandemia, apresentou queda de 31,7% no Ceará na comparação com fevereiro, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se observarmos igual mês em 2019, a queda chega a 34%. O IBGE ainda revela que restaurantes, hotéis e transporte aéreo de passageiros foram os mais afetados. Todas as doze unidades da federação onde as atividades turísticas são avaliadas acompanharam esta retração.

Como cadeia que envolve diversos negócios, o impacto no turismo deve continuar forte no mínimo até o segundo semestre. A retomada deve ser lenta e acompanhada de novos modelos de negócios e operação. Isso é o que projeta o secretário do Turismo do Ceará (Setur), Arialdo Pinho.

“É um recuo muito forte. Em abril (a queda da atividade turística) deve ser mais forte e deve vir com um número bem mais expressivo, que foi quando aconteceu realmente a parada. Mas isso já era notório, já havia caído na Ásia, Europa”, afirma.

Arialdo projeta o início da reabertura do turismo para o fim de agosto ou setembro, caso a curva de contágio seja controlada. Mas somente em janeiro ou fevereiro de 2021 o nível de demanda seria “aceitável”.

O titular da Setur lembra que além de hotéis e restaurantes, o setor aéreo foi altamente afetado e existe a perspectiva de que até 8 mil aeronaves não devem mais decolar após essa crise, após a falência de companhias aéreas, o que prejudica o turismo no mundo inteiro.

O turismo pós-pandemia, no entendimento de Arialdo, será pautado inicialmente na retomada de confiança dos turistas, além de uma mudança de perspectiva que inclui até uma readequação de preços. “Será preciso readquirir a confiança, começando pelos próprios cearenses“, complementa.

Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Ceará (Abih-CE), Eliseu Barros lamenta que, apesar de o setor não ter sido enquadrado no decreto estadual como atividade a fechar as portas, a falta de hóspedes fez com que a operação parasse.

“Os hotéis já vão completar 60 dias fechados. Não existe movimentação turística nenhuma. Tem 3 ou 4 guerreiros donos de hotéis abertos com ocupação mínima”, disse.

Já o setor de bares e restaurantes, tenta sobreviver à base de delivery. O diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Taiene Righetto, diz que, hoje, estima-se que parte do segmento que ainda opera perdeu 80% de seu faturamento. O restante, que não tem a opção de entrega, está sem renda.

“O setor é composto por 96% de pequenas e médias empresas e pelo menos 40% destas estarão fechadas até o fim da crise. Estimamos que até hoje já temos mais de 50 mil empregos perdidos no Ceará”, acrescenta.

No País, o agregado especial de atividades turísticas despencou 30% em março ante fevereiro, queda mais intensa da série histórica, ainda segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE.

O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef-CE), Wilton Daher, analisa que, nos serviços, o turismo é o mais impactado pela quantidade de gente que emprega e por ser um motor para a economia. A perspectiva é ainda de demora na retomada para este setor, que foi um dos primeiros impactados.

“Mesmo depois de liberar, a retomada vai demorar, pois as pessoas estão com medo do contágio. Haverá uma nova maneira de enxergar a vida. O turismo local é que vai ter crescimento”, opina. Ele também considera que o enfraquecimento deste setor, que emprega muito, deve aumentar a pobreza e desigualdade social. “A situação das pessoas mais pobres deve ficar mais crítica”.

 

Fonte: O Povo

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