Rede pública do Ceará mantém uso de medicamento contra Covid-19 apenas em casos graves

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou que não deve mudar o protocolo de uso da cloroquina contra a Covid-19 no estado, mesmo após nova recomendação do Ministério da Saúde (MS). Com isso, os hospitais públicos cearenses seguirão utilizando a medicação somente em casos graves, no “estágio 3 de internação hospitalar”, seguindo o protocolo elaborado e publicado, no dia 10 de abril, pela Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE) e Centro de Inteligência em Saúde do Ceará.

Apesar disso, o secretário da Saúde do Ceará, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, afirmou nesta sexta-feira (22) que ainda avalia a retirada da cloroquina inclusive para pacientes mais graves. Sem definir data, Cabeto afirmou que ainda irá se reunir com uma equipe científica para discutir uma possível mudança.

A nova orientação foi publicada pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (20). O presidente Jair Bolsonaro defende o uso da cloroquina no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. Apesar disso, não há comprovação científica de que esse remédio seja capaz de curar a Covid-19. Estudos internacionais não encontraram eficácia no medicamento, e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda a utilização. O protocolo da cloroquina foi motivo de atrito entre Bolsonaro e os últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. No intervalo de menos de um mês, os dois deixaram o governo.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Ceará, os hospitais do estado seguem com o uso de dois medicamentos associados (azitromicina e prednisona) em pacientes que apresentem sintomas leves da Covid-19 há pelo menos cinco dias, não apresentem melhora satisfatória e não precisem ser internados. Portando, conforme a pasta, a prescrição de cloroquina e hidrocloroquina na atenção primária não está prevista nas recomendações.

O secretário da Saúde do Ceará disse, nesta sexta, que a medicação não deve ser inserida na fase inicial na rede pública do estado. “Não é possível colocar isso como protocolo, muito menos na fase inicial da doença, que, essa sim, não tem nenhum indício científico. A Secretaria de Saúde vai agir como deve, respeitar o direito de quem quer prescrever e quem assume o ato da prescrição, mas a secretaria não pode recomendar uso de qualquer medicação”, afirmou.

A prescrição, conforme o secretário, deverá ser feita por decisão do médico com o paciente e com familiares, com a devida explicação sobre possíveis efeitos colaterais e obrigatoriamente com obtenção de termo de consentimento.

A Secretaria alerta, ainda, que o uso da cloroquina deve ser sempre discutido com o médico, pois “se trata de medicamento com possíveis efeitos colaterais”. O tratamento domiciliar e a automedicação não são indicados pelo órgão.

 

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