Entrevista: Jorge Macedo fala sobre novo departamento de futebol do Ceará e busca por reforços

Diretor Executivo do clube concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste e falou também sobre a retomada dos treinos do elenco durante a pandemia de Covid-19

 

O início da temporada foi marcado por uma revolução estrutural no Ceará Sporting Club. Ao fazer história com a garantia do terceiro ano consecutivo na Série A do Brasileiro, o clube mudou as prioridades de investimento e fez de 2020 um ano para retomar a briga por títulos expressivos. À frente do novo processo, o diretor executivo Jorge Macedo.

Com ampla experiência na elite nacional, o dirigente tem no currículo passagens por equipes como Internacional, Fluminense e Vitória/BA. Natural do Rio Grande do Sul, herdou a missão de profissionalizar o departamento de futebol alvinegro ao lado do gerente Sérgio Dimas e montar um elenco competitivo, com aspirações de campeão.

Em entrevista concedida com exclusividade ao Diário do Nordeste, o gestor explicou as reformas internas da diretoria e analisou as chance de contratação do Ceará durante a pandemia de Covid-19.

DN: Como define a sua função no Ceará Sporting Club? 

“Todo mundo acha que o diretor executivo de futebol vem e contrata, mas assim precisaria ser contratado apenas por dois meses: chega em janeiro, acerta o elenco e vai embora. A atividade é mais ampla e essencial porque é o profissional que executa o planejamento estratégico do clube, o responsável por fazer o macro, passar aos demais o que o clube pretende, além de facilitar a comunicação de todos os departamentos, como de médicos, fisioterapia e nutrição. Eu faço a conexão desses departamentos, todos com o mesmo interesse, o de atender nosso atleta, para o jogador ter a participação única e exclusiva de jogar futebol. De vir e não se preocupar com mais nada. A gente faz ainda a ligação do jogador com a parte política, de contato com presidente e o vice do clube, ou seja, somos um facilitador de tudo”.

DN: Você participou como protagonista de uma reformulação interna no Ceará, de um novo departamento de futebol. Em termos organizacionais, o que mudou com a sua chegada?

“O Ceará é extremamente organizado. O presidente Robinson é fantástico, mudou o patamar do clube de uma maneira planejada, então quando cheguei o Ceará tinha bons profissionais, mas cada um cuidava do seu setor, ficava distante. Então o primeiro passo foi chamá-los, escutar e potencializar todas as áreas com conceito e planejamento integrado. Para o departamento de fisiologia, por exemplo, trouxemos um outro profissional. Além disso, montamos um departamento psicossocial, algo essencial. Antes, quando o jogador chegava, não tinha ninguém para receber esse atleta, e há um choque de cultura quando se contrata alguém do Sul e deixa no Nordeste. Era apresentado, colocava a camisa, treino e tchau. Agora recebe auxílio amplo, da escola do filho até moradia, o Ceará acompanha a família, algo que facilita a adaptação. A vinda do Sérgio Dimas, o nosso gerente de futebol, com experiência em Bragantino e Santos, também é muito importante, a gente se ajuda muito”.

DN: E como é o processo  de contratação no Ceará? Qual o papel do treinador nesta definição?

“No momento, nós temos um setor de análise de desempenho, mas estamos finalizando um apenas para análise de mercado, algo importante. A gente recebe indicações deles, acrescenta com o nosso banco de dados, e o presidente tinha a questão dele de jogador também. Fomos separando nomes e olhando a viabilidade, a partir da definição de uma valor base de custo no mercado. Sempre surgiam dois ou três nomes por posição, aí o treinador participa e avalia a preferência. Não trabalho com o método do técnico chegar e indicar apenas um para contratação específica, nós conversamos e mostramos opções dentro da característica desejada, porque a rotatividade é grande, o treinador depois vai embora e o jogador indicado fica no clube. Importante que o grupo também é montado para assimilar até três modelos táticos dentro dos critérios de análise”.

DN: No início do ano, o volume de contratações do clube foi intenso, com investimento alto e até diferente de outras temporadas. Isso teve reflexo direto do trabalho no seu setor?

“A gente conseguiu mudar a filosofia de montagem do elenco. O que acontecia antigamente: o Ceará contratava um time para Estadual, depois um para Copa do Nordeste e ainda tinham reforços do Brasileiro. Mudamos isso, fomos ao mercado com três divisões de atletas: o de retorno técnico, como o Sóbis, que não deve ser vendido, mas tem qualidade; o técnico e financeiro, que requer maior gasto como Charles, mas oferece qualidade e tem mercado; e os de retorno financeiro maior, os casos de Jacaré e Cleber, ambos com muito potencial de valorização. Vamos usar o Estadual para avaliar a necessidade ou não de novo reforço. Hoje o elenco é forte e numeroso para suportar o calendário, montado já desde o início do ano”.

DN: Algumas apostas dessas contratações ainda estão devendo, como Rodrigão e Rogério. A pausa no calendário devido à pandemia de Covid-19 pode indicar uma retomada deles?

“A gente vem conversando muito internamente. O Guto conhece os jogadores, acompanhou muitos jogos da equipe, e eles estão tendo oportunidade de fazer uma nova pré-temporada, começa todo mundo do zero. O Guto até falou muito bem de jogadores que ele gosta e não eram utilizados com os outros treinadores. São 14 atletas que ele conhece, então é uma oportunidade de mostrar que essas peças têm condição porque futebol é de momento, depende muito do jogador. Estamos trabalhando para desenvolver aspectos técnicos, físicos e psicológicos para atuarem da melhor maneira possível. Eles serão utilizados porque vai existir rodagem, precisam se mostrar”.

DN: Muitos nomes são especulados como futuros reforços, a exemplo dos atacantes Leandro Pereira, Marcinho, Edinho e Raffael. Qual a posição do Ceará sobre esses atletas?

“Todos são bons jogadores, sabemos da qualidade deles, mas estão envolvidos com situações de fora, é difícil. O Leandro Pereira foi meu jogador no Internacional, aí fala muito com o torcedor e alimenta isso, então eu chego e brinco com ele: ‘Leandro, troca esses dólares que você ganha e vem receber em real no Brasil’. É algo muito complicado, como o caso do Marcinho também, é bom, mas está na China. O momento atual é de honrar com o nosso elenco, cumprir com os vencimentos, acreditar no potencial e, se precisar, temos nossos nomes para procurar”.

DN: O Ceará foi o primeiro clube do Brasil a apresentar um protocolo médico de treino. Qual as situação das atividades do elenco no momento?

“Começamos o trabalho logo após as férias. Eram treinos online três vezes por semana e depois mais cinco tipos de treinamento porque cada atleta tinha uma realidade diferente, alguns tinham campo, outros só academia. Já com a liberação do CT, iniciou com grupos de quatro, evoluiu para oito, então vamos passando de fase. Tivemos oito grupos para monitorar, agora são dois, então ficávamos lá das 8h até 19h no começo pelos cuidados com o protocolo médico. Ao chegar em casa ainda tinha reunião para avaliar todo o trabalho técnico das ações de segurança. Agora, nossa única baixa é o Leandro Carvalho, que fez a cirurgia de apendicite e deve iniciar os treinos até o fim de semana. Na próxima já temos todos para evoluir do trabalho tático e partir para o enfrentamento”.

DN: A pandemia pode ser tida como oportunidade do Ceará se mostrar forte nacionalmente?

“A crise tem duas situações: ou cai e vai junto ou cria força para sair. E o Ceará foi criativo desde o início da pandemia, lives, terceiro uniforme, coletiva online, o programa Vozão do Bem com toneladas de alimentos doados e plano de sócios. O presidente Robinson fez agora acordo para disponibilizar testagem aos outros clubes e seguir com o Estadual, mostrando que não jogamos sozinhos em uma ação excelente. A pandemia trouxe maior unidade ao futebol, algo que não tínhamos muito na categoria. Nesse momento, temos sido felizes com os caminhos escolhidos no aspecto econômico, social, técnico. Tudo com ajuda do nosso torcedor”.

 

FONTE:DN

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