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Em dia de glória, torcida do Ferroviário recebe time na Arena Castelão e desfila com a taça de campeão da Série D

Como o apito de uma locomotiva rompendo o silêncio das estradas, o expresso coral da alegria irrompeu ao meio dia de ontem, em um dos portões da Arena Castelão, conduzindo os campeões brasileiros da Série D.

Formou-se uma consagração espontânea diante daquele ônibus que vinha direto de Campina Grande, onde o Ferrão se sagrou campeão da Série D do Campeonato Brasileiro, mesmo perdendo por 1 a0 para o Treze/PB. O placar de 3 a 0 para os corais no jogo anterior, ratificou a conquista.

De um lado os jogadores, tentando fazer a ficha cair pela conquista, do outro, torcedores em êxtase, querendo tocar nos atletas e na taça de campeão.

No estacionamento, estava um carro aberto do Corpo de Bombeiros, que conduziu os atletas e comissão técnica até o Estádio Elzir Cabral.

Os jogadores passavam por um corredor de torcedores, até subirem no carro dos Bombeiros. O centroavante Edson Cariús nem sequer pôs os pés no chão. Mal apareceu, os torcedores o puseram nos braços. “É um momento incrível, eu chega me arrepio por estar vivendo esse instante de gratidão, felicidade, por tudo que a gente tem feito. Essa torcida mereceu esse título e a gente se doou muito”, disse o centroavante Edson Cariús.

Não havia apenas torcedores do Ferroviário antigos, porém, muitos deles adolescentes e crianças atiçados pela campanha do time na Série D.

“Eu já tinha percebido esse rejuvenescimento da torcida, antes da conquista. Vimos em Campina Grande, mulheres, crianças, famílias, mostrando o ressurgimento da torcida”, disse Rui Neto, torcedor bisneto do fundador do clube, Valdemar Caracas.

“É uma emoção grande a gente ver a alegria da torcida, que há tanto tempo esperava passar por um momento como esse. O futebol tem muitas nuances, e formamos um grupo valoroso, comprometido e conseguimos chegar ao nosso intento”, disse o técnico Marcelo Vilar, que está conversando para renovar contrato.

Crises e superação

Fundado por operários em 1933, o clube que iniciou o movimento de profissionalização do esporte no Estado se viu diante da primeira crise da sua história 60 anos depois, em 1993. Naquele período, no dia 14 de fevereiro, o Tubarão da Barra perdeu por 9 a 1 para o Ceará no Estadual. O impacto do resultado foi um só: renúncia inteira da diretoria coral e dispensa de jogadores. A mudança deixou Clóvis Dias na presidência do clube e os dois anos seguintes ficaram marcados para sempre no coração do torcedor coral. Em 1994, após um tabu de sete anos, o Ferrão conquistou o Campeonato Cearense. No ano seguinte, o time alcançou a maior marca do Ferroviário em estaduais: o bicampeonato, título inédito para o clube. Com a chegada dos anos 2000, o Ferroviário assumiu um posto de coadjuvante do futebol cearense, sem alcançar títulos ou grandes exibições. Antes de retornar com força máxima no cenário nacional, o Ferrão ainda foi rebaixado para a Segundona do Cearense em 2014, o maior vexame de sua história.

A redenção então só aconteceu em 2016 e ainda foi nos tribunais. O Tubarão atravessou a vaga do Guarany, que não apresentou documentos comprovando a regularidade fiscal do time.

No regresso para a elite cearense, a equipe demonstrou força e ficou com o vice-campeonato após eliminar o então atual campeão Fortaleza na semi e perder para o Ceará na decisão. Ainda não sabíamos o que estava por vir, mas aquela final recolocou o Ferrão no radar esportivo nacional e o encaminhou para uma das temporadas mais brilhantes do time até aqui.

O time conquistou o direito a participar da Copa do Brasil e fez a melhor campanha da história: bateu Confiança/SE, Sport/PE e Vila Nova/GO, foi eliminado na quarta fase para o Atlético/MG e arrecadou mais de R$ 4,3 milhões de premiação, maior receita de todos os tempos.

O montante foi investido na disputa da Série D, onde o time chegou à finalíssima diante do Treze, garantiu vaga na Terceirona de 2019 e ainda sagrou-se campeão brasileiro.

 

 

Fonte: DN

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