Categorias
Últimas Notícias

Por que alguns vulcões matam mais que outros?

Não há dois vulcões iguais no mundo, e o potencial de devastação de cada um depende de vários fatores: histórico de erupções, tipo de magma, tipo de formação e quantas pessoas vivem nas proximidades.

Mas é possível tentar enxergar algumas pistas.

É possível prever a próxima grande erupção?

Erik Klemetti, da Universidade Denison, em Ohio, nos Estados Unidos, diz que é difícil prever a gravidade de uma erupção. “Quando você está monitorando vulcões, os sinais de uma grande erupção e de uma pequena erupção podem ser muito parecidos”, disse ele à BBC.

Os indicadores que avisam sobre uma erupção iminente, de acordo com Klemetti, são “terremotos, liberações de gás e expansão” – que ocorre quando há uma protuberância ou elevação na superfície de um vulcão, causada por uma massa de lava nova abrindo caminho até a superfície e deslocando pedras antigas para os lados e para cima.

“Há duas coisas que você está tentando equilibrar (na análise)”, diz Klemetti: “o momento da erupção e o tamanho dela – e é difícil conseguir os dois”.

No caso do Vulcão de Fogo na Guatemala, que entrou em erupção no domingo, Klemetti diz que foi “atipicamente grande”, por isso teria sido um desafio para os especialistas preverem uma atividade dessa magnitude com base em indícios anteriores.

Identificando o perigo

Como os cientistas podem dizer quais vulcões são os mais perigosos? É difícil classificar vulcões. Até recentemente, o Kilauea no Havaí, havia sido considerado o mais ativo, mas não o mais perigoso.

Acredita-se que o Maciço de Tamu seja o maior vulcão da Terra – com tamanho estimado comparável ao do Novo México ou das Ilhas Britânicas – mas ele não é considerado a maior ameaça aos seres humanos, pois está localizado sob o Oceano Pacífico, cerca de 1.600 km a leste do Japão.

Algumas das maiores erupções aconteceram no meio do nada – então, novamente, elas não representam um risco direto para a vida humana.

Histórico de erupções

A história de um vulcão pode se estender por milhares de anos. Ela não fornece uma previsão exata do que vai acontecer no futuro, mas fornece informações vitais sobre como ele geralmente se comporta:

Entre as informações mais relevantes está o raio da superfície que erupções anteriores afetaram, por exemplo.

O tipo de vulcão também influencia no potencial de danos – um cone de cinzas (com o formato de uma colina íngreme) tem menos probabilidade de causar destruição generalizada do que um vulcão composto ou do tipo caldeira (com uma série de centros vulcânicos interligados).

O tipo de magma – a rocha derretida dentro do vulcão pode dar mais indícios. O magma balsático tem menos probabilidade de causar uma erupção explosiva do que um vulcão que produz magma mais pegajoso e mais rico em sílica.

As características da lava (o magma que atinge a superfície) que o vulcão produz também são levadas em conta – a lava é líquida e rápida ou viscosa e lenta?

População perto do vulcão

É evidente que quanto maior a densidade da população perto de um vulcão, maior o risco de vítimas.

Mas há outros fatores a serem levados em conta: este é um vulcão de lava que flui rápido? Quão eficiente é a infraestrutura rodoviária na região? Quão acidentado é o terreno? Os principais povoados estão diretamente abaixo de um caminho de lava?

Além disso, “proximidade” pode ser um conceito relativo: um rio de lava pode se estender por dezenas de quilômetros.

Um vulcão propenso a explosões violentas e poderosas aumentará seu raio de danos em até 100 km.

Embora as erupções vulcânicas sejam difíceis de prever com precisão, existem indicadores confiáveis que podem disparar o alarme.

Se uma área está ciente de um risco verdadeiro, as autoridades locais têm a chance de se preparar para o pior cenário possível.

Quando os sinais sísmicos não são monitorados – ou ainda se forem ignorados ou não notificados – a população local enfrenta um risco maior.

A área está bem preparada para uma grande catástrofe?

Não há como evitar uma erupção vulcânica, mas estar preparado e ter um plano de emergência consistente pode reduzir muito o risco de vítimas. A educação da população local no caso de uma erupção também ajuda.

Outros fatores a serem considerados são como minimizar o risco de outros perigos associados à atividade vulcânica: gás, nuvens de cinzas, terremotos e falhas de energia associadas, entre outros.

Quatro grandes riscos diferentes

Os perigos que tornam erupções vulcânicas mortíferas vão além dos fluxos de lava derretida. Os vulcões matam de várias formas – algumas mais sutis do que outras.

Cerca de 600 milhões de pessoas vivem perto de vulcões. Mas os riscos são pequenos – nos últimos 40 anos, cerca de 900 pessoas foram mortas por erupções. A lava é responsável por relativamente poucas mortes, no entanto.

Como geralmente se move muito lentamente, as pessoas normalmente conseguem sair do caminho a tempo. Mas existem outras quatro maneiras principais pelas quais as erupções podem ser fatais.

Deslizamentos

Algumas das conseqüências mais mortíferas das erupções podem ser mais indiretas. Em 1985, o vulcão Nevado del Ruiz, em Columbia, entrou em erupção, liberando material piroclástico quente.

Isso derreteu milhões de toneladas de gelo e neve nas encostas do vulcão, resultando em uma série de deslizamentos de terra vulcânicos conhecidos como lahars – uma mistura de água, gelo, pedra-pomes e outros detritos de rocha – que caíram do topo e das laterais do vulcão para dentro de rios.

Povoados no entorno foram soterrados por esses lahars, resultando em cerca de 20 mil mortes.

Redação JI  –  G1.com

Comentar Via Facebook

Comentários