Punição a André Fernandes na AL é quase consenso

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Após acusar a suposta existência de deputados estaduais com relações com facções criminosas, o deputado André Fernandes (PSL) deverá ser punido em ação no Conselho de Ética da Assembleia. Apresentada na última quinta-feira pelo deputado Elmano de Freitas (PT), a representação contra o deputado do PSL tem clima de consenso entre as bancadas do Legislativo. Com exceção dos correligionários Soldado Noélio e Delegado Cavalcante, quase todos os outros deputados se mostraram favoráveis a “enquadrar” Fernandes pelas acusações feitas na tribuna. Para se ter ideia, ação teve adesão até do PSDB, opositor do governo.

Para parlamentares, as falas do deputado caracterizam clara quebra do decoro parlamentar, o que deixaria o deputado sujeito às penalidades de censura, suspensão temporária e até perda do mandato. Apesar disso, a possibilidade da aplicação da pena mais rigorosa é praticamente descartada. Até porque será a primeira vez que o deputado responderá ao Conselho de Ética, o mais provável é que o deputado seja punido através de uma censura pública, com ênfase na possibilidade de aplicação de penas mais graves, caso ele cometer o mesmo ato no futuro.

Importante destacar o tamanho do turbilhão provocado pela fala de Fernandes na Assembleia. Trabalhando há nove anos na cobertura política do Ceará, jamais vi uma reação tão dura dos deputados contra um membro do próprio parlamento. No dia da repercussão das acusações na Casa, se fez uma “fila” de gente para condenar a fala, indo do PDT ao Psol. Discursaram sobre o tema 11 deputados: Elmano de Freitas, Leonardo Araújo (MDB), Heitor Férrer (SD), Moisé Braz (PT) Júlio César Filho (Cidadania), Renato Roseno (Psol), Manoel Duca (PDT), Salmito Filho (PDT), Apóstolo Luiz Henrique (PP), Guilherme Landim (PDT) e Nezinho Farias (PDT).

Antigamente, o corporativismo costumava falar mais alto.

 

 

Repercussão

 

 

Em entrevista à imprensa da capital,  André recuou das acusações e disse que a fala ocorreu em um “momento de revolta” contra os colegas. Nas redes sociais, no entanto, o parlamentar tem reforçado as acusações (chegou a publicar “é crime falar a verdade?”) e prometido fazer novo pronunciamento duro sobre o tema no plenário da Casa. Na sexta-feira, ele não conseguiu tratar do assunto por conta da falta de quórum para abertura de sessão. Se realmente subir o tom, o deputado pode ter certeza que deverá ter resposta à altura.

Com a perspectiva de ser punido apenas com uma censura escrita, a impressão é de que Fernandes só teria a ganhar com o caso. Com a imagem desgastada da classe política brasileira no ápice há anos, o ataque feito pelo deputado, ainda que genérico e sem fundamento nenhum, encontra ressonância boa entre os anseios de boa parte do eleitorado. Ainda mais se tratando de um deputado do PSL, partido que já saiu gigante da urnas em 2018 muito em função da crise na política tradicional. Mas isso, obviamente, depende de como a Assembleia irá reagir ao caso.

 

Fonte: O Povo

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