Maré alta histórica gera temor em Veneza e leva prejuízo ao turismo

Veneza viveu um dia inquietante, ontem, com a onda de mau tempo em toda a região e o temor de marés altas que obrigaram as autoridades a fechar a praça São Marcos – devastada pela inundação excepcional há três dias.

“Me vejo forçado a fechar a praça São Marcos para proteger os cidadãos de riscos sanitários. Um desastre”, anunciou o prefeito Luigi Brugnaro. A maré começou a baixar no meio da tarde de ontem, informaram unidades de controle em mar aberto. O serviço de transporte público – os famosos vaporetti – foi retomado.

 

 

Museus e escolas

 

Pelo quarto dia consecutivo, as escolas e universidades permaneceram fechadas, assim como importantes museus e instituições culturais, entre eles o Guggenheim e o Teatro La Fenice. Na noite de terça, a cidade, joia da arquitetura bizantina, registrou sua pior maré alta em 53 anos.

A água inundou igrejas, lojas, museus e hotéis, causando inestimáveis danos ao patrimônio artístico e imobiliário.

Os 50 mil habitantes do centro histórico temem agora que o fenômeno da “acqua alta” se torne mais frequente, já que aumentou nos últimos anos devido às mudanças climáticas e ao aquecimento do Mar Adrático, dizem especialistas.

 

 

Prejuízos

 

 

Os prejuízos chegam a centenas de milhões de euros, e o Governo autorizou o uso de um fundo imediato de 20 milhões de euros para reativar os serviços essenciais e indenizar a população. “Esse primeiro fundo é apenas para as necessidades urgentes. Vamos pedir uma lei especial com cifras muito altas porque Veneza precisa fazer muito, mas muito mais”, comentou o ministro da Cultura, Dario Franceschini. “Mais de 50 igrejas sofreram danos e foram inundadas. A situação é mais grave do que se vê na televisão”.

Uma onda de solidariedade tomou conta da península italiana, com doações e contribuições para ajudar os residentes e proprietários de atividades comerciais a recuperar parte de seus bens perdidos. A Prefeitura abriu uma conta corrente para todos os que quiserem contribuir com a recuperação de uma das cidades mais belas do Velho Continente, declarada Patrimônio da Humanidade.

“Acho que vale a pena salvar esta cidade, estou segura de que vai ser preciso ajuda e que custará muito dinheiro. Acho que os turistas estrangeiros devem contribuir para ajudar Veneza a suportar este custo”, disse a turista colombiana Diana Ramírez.

Falta pão nos restaurantes entre Rialto e San Marco, e a padaria de Emilio Colussi, fundada em 1840, ficou submersa. Sete de cada dez lojas estão fechadas, entre elas o célebre Caffè Florian, em plena praça São Marcos e o American Bar, a poucos passos.

 

 

Projeto para salvar cidade é polêmico

 

 

Classificada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987, Veneza repousa sobre milhões de pilares cravados no lodo até chegar a um fundo mais sólido, os quais sustentam palácios e casas. Mas a elevação do nível do mar e o fluxo constante de navios de cruzeiro têm contribuído para correr os pântanos e bancos de lodo.

A Sereníssima, que afunda gradativamente é, portanto, muito frágil aos caprichos do Mar Adriático. O megaprojeto Mose, que salvaria a cidade das marés altas, tem sido alvo de polêmicas devido ao seu elevado custo, pois deveria custar 2 bilhões de euros, mas este valor disparou por casos de corrupção que levaram à detenção, em 2014, do então prefeito, Giorgio Orsoni.

Os 78 diques flutuantes que deviam fechar a lagoa em caso de aumento das marés foi testado recentemente, mas o dispositivo causou vibrações e os engenheiros descobriram que algumas partes estavam oxidadas.

Fonte: Diário do Nordeste

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