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Empresas voltam a apostar no Brasil com otimismo econômico

 

Da indústria ao varejo, o empresariado se contagiou com clima de otimismo pós-eleições. A onda de confiança se traduz em bilhões de reais em investimentos já anunciados para 2019. Nessa semana, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) alcançou 63,2 pontos, o maior dos últimos oito anos, desde o fim do governo Lula.

 

A perspectiva de mudança no ambiente político, queda do dólar e a promessa das reformas previdenciária e tributária têm impulsionado diversos setores, mesmo com a contínua redução na previsão de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano, que passou de 2,5% para 2,1%.

 

“Conhecidos os resultados das eleições, há expectativas muito positivas em relação às mudanças que virão e às reformas que podem estimular o crescimento econômico e melhorar o ambiente de negócios”, afirma o gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Ele explica que a recuperação da confiança é importante para a economia porque indica maior disposição para investir, tomar riscos, contratar trabalhadores e comprar mais matérias-primas.

 

Professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ulisses Ruiz de Gamboa lembra que há ainda uma necessidade latente de renovação, após os últimos três anos de retrações. É comum investir em maquinário, pessoal e infraestrutura de tempos em tempos, mas esse tipo de aplicação estava suspensa devido à crise econômica e à instabilidade política. Ele avalia que a promessa de reformas e a equipe econômica já anunciada pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, também passam tranquilidade ao empresário.

Ex-ministro de Dilma Rousseff, Joaquim Levy é um dos nomes que inspira confiança, segundo Gamboa. Ele irá liderar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

“Nossa capacidade de crescimento é limitada. No momento consegue crescer meio facilmente porque tem capacidade ociosa e muito desemprego. Na medida em que a economia retomar e recuperar a base perdida, vai precisar reduzir o custo Brasil (juros altos, elevada carga tributária). E só consegue reduzir se fizer as reformas”, argumenta.

 

Para Roberto Marques, diretor de Vendas da Divisão de Construção da John Deere Brasil, o País tem uma alta demanda de obras reprimida que precisará ser destravada num curto espaço de tempo.

 

“São vários fatores que nos levam a uma expectativa positiva: o crescimento exponencial da população, a concentração das pessoas nos centros urbanos com a formação de megacidades e a necessidade urgente de melhorias no escoamento das safras agrícolas, motor do PIB. Para atingirmos esse equilíbrio, precisamos estar preparados do ponto de vista tecnológico, investindo em construções de precisão, conectadas e inteligentes. Esse é o caminho”, acredita.

 

A empresa acaba de anunciar que irá nacionalizar a produção de três modelos de motoniveladoras e expandir a fábrica de máquinas de construção em São Paulo. “Nossa estratégia para o Brasil é de longo prazo e independe de oscilações temporárias do mercado, o que nos permite oferecer alternativas eficientes de produtos e serviços aos clientes. Estamos felizes por estarmos contribuindo para o fortalecimento do setor, além de viabilizarmos a criação de mais postos de trabalho e incentivarmos o crescimento do mercado nacional”, ressalta.

 

O vice-presidente de assuntos corporativos da Ford para América do Sul, Rogelio Golfarb, também se diz otimista e aposta num crescimento acima de 10% para a indústria automotiva.

 

“Temos uma expectativa positiva sobre o ambiente de negócios, é isso que o setor automotivo precisa”, declara. “A nossa expectativa de crescimento é baseada em projeções de crescimento do PIB para o próximo ano, acrescenta.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também está esperançosa e aposta em alta de cerca de 13% na produção, apesar da crise argentina prejudicar as exportações.

 

No varejo, o Carrefour vai repetir o investimento de 2018, que chega a quase R$ 2 bilhões. A rede anunciou que irá abrir 20 novas lojas Atacadão. A Leroy Merlin também já anunciou modernização nas vendas pela Internet e investimento total de R$ 300 milhões.

 

“O Brasil sempre anda. Faz quatro anos que está devagar e, se continuar, estamos acostumados. Não deixamos de investir”, destaca o diretor-geral da companhia no Brasil, Alain Ryckeboer. Há 20 anos no País, o executivo diz que viu quatro crises. “Tomara que estejamos no início de uma onda de crescimento”,torce.

 

Confiança

 

O Índice de Confiança do Comércio, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 3,8 pontos de setembro para outubro. Com a alta, o indicador chegou a 92,5 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos. A alta da confiança fez com que o indicador retornasse ao nível anterior ao da greve dos caminhoneiros

 

Classificação

 

A Standard & Poor’s (S&P) afirma que as reformas serão decisivas para o aumento da nota de crédito do Brasil. Atualmente, o País é classificado como BB- pela agência, a menor desde 2005. O indicador serve de guia de investimento fazer uma estimativa para avaliar se o País é bom ou mau pagador. O pico de maior nota de crédito foi de 2011 a 2014, segundo as agências, quando chegou a BBB pela S&P. Para se ter ideia, o maior índice, o AAA é de países como a Alemanha, que possui a maior economia da Europa.

Fonte: O Povo

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